Aos 61 anos, auxiliar de limpeza que sofreu preconceito pelo trabalho faz Enem para cursar arquitetura em MT

Mari Cecília Nunes de Assis Silva, de 61 anos, realiza o Enem neste domingo (8) Fernanda Deamo/g1 Depois de ouvir que "só servia para lavar banheiros" e que, ...

Aos 61 anos, auxiliar de limpeza que sofreu preconceito pelo trabalho faz Enem para cursar arquitetura em MT
Aos 61 anos, auxiliar de limpeza que sofreu preconceito pelo trabalho faz Enem para cursar arquitetura em MT (Foto: Reprodução)

Mari Cecília Nunes de Assis Silva, de 61 anos, realiza o Enem neste domingo (8) Fernanda Deamo/g1 Depois de ouvir que "só servia para lavar banheiros" e que, pela idade, "seu lugar deveria ser em um asilo", Mari Cecília Nunes de Assis Silva, de 61 anos, decidiu enfrentar o preconceito e realizar, neste domingo (8), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, em Cuiabá, para realizar o sonho de cursar arquitetura. 🔍O primeiro dia do Enem 2026 acontece neste domingo (8), com provas aplicadas em 58 municípios de Mato Grosso. Ao todo, 81.772 candidatos tiveram a inscrição confirmada no estado. Desse total, 51.504 (62,98%) tiveram direito à inscrição gratuita, enquanto outros 30.268 (37,02%) pagaram a taxa para participar do exame. Mari contou que trabalhou durante anos como auxiliar de limpeza em empresas terceirizadas e, segundo ela, enfrentou situações de humilhação por causa da profissão. Em uma delas, um homem chegou a dizer que ela só prestava para limpar banheiros. A situação marcou a trabalhadora e preocupou a filha mais nova, que está concluindo a faculdade de fisioterapia. "Pessoal da limpeza muitas vezes fica no escuro, as pessoas não dão valor. [Depois de saber das dificuldades no trabalho] A minha filha não quer mais me ver passando pano", disse. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Agora no g1 Mari disse que sempre teve interesse pela área da arquitetura, mas acabou deixando os planos para depois ao se casar, criar os filhos e, mais tarde, ajudar a cuidar dos netos. "Eu sempre sonhei em fazer arquitetura. Mas aí eu casei e é aquela coisa, vem os filhos, depois vêm os netos, começa a cuidar de casa, faz uma coisa, faz outra", relatou. Além do preconceito que enfrentou no trabalho, a trabalhadora disse ainda que ouviu comentários negativos quando decidiu voltar a estudar. Segundo ela, uma conhecida chegou a afirmar que, na idade dela, o lugar de uma pessoa seria em um asilo, e não em uma sala de aula. "Para mim não tem idade, não tem tempo. Eu sempre falo, quem quer trabalhar ou estudar, não tem essa coisa de falar: 'Ah, vou arrumar tempo.' Não. É a força da vontade da pessoa. Quando você quer fazer uma coisa, você faz, você corre atrás do seu sonho", ressaltou. Aos 61 anos, ela também já começou a dar os primeiros passos na área que pretende estudar. Curiosa sobre projetos arquitetônicos, passou a pesquisar plantas de casas na internet e chegou a desenhar um esboço em uma folha de papel A4. O desenho surpreendeu uma das netas, que cursava direito. "Quando minha neta viu ficou impressionada. Ela falou assim: 'Vó, pelo amor de Deus, que já nem tem o curso, já fez isso, imagina com o curso'", contou. Mari disse que a filha mais nova e uma neta que estudava direito foram algumas das principais incentivadoras dela para voltar aos estudos. O marido, que está aposentado e enfrenta problemas de saúde, também apoia a decisão. Atualmente, Mari está recebendo seguro-desemprego e vê na possibilidade de ingressar na faculdade uma oportunidade de recomeçar profissionalmente.

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