Município de MT que já foi considerado o maior do Brasil completa 275 anos

Chapada dos Guimarães completa 275 anos nesta sexta-feira (31) Ademir Santos/Prefeitura de Chapada dos Guimarães Muito antes de se tornar conhecida pelas cach...

Município de MT que já foi considerado o maior do Brasil completa 275 anos
Município de MT que já foi considerado o maior do Brasil completa 275 anos (Foto: Reprodução)

Chapada dos Guimarães completa 275 anos nesta sexta-feira (31) Ademir Santos/Prefeitura de Chapada dos Guimarães Muito antes de se tornar conhecida pelas cachoeiras, paredões, mirantes e trilhas que atraem turistas de diferentes partes do país, Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, já ocupou uma extensão territorial gigantesca. O município completa 275 anos nesta sexta-feira (31) carregando uma história que atravessa o ciclo do ouro, aldeamentos indígenas, fazendas coloniais, sucessivos desmembramentos e a transformação do turismo em uma das principais atividades. Segundo registros históricos reunidos pela prefeitura, a ocupação da região está ligada ao avanço das bandeiras pelo território mato-grossense no início do século XVIII. Em 1718, a bandeira de Pascoal Moreira Cabral encontrou ouro no Rio Coxipó e, nos anos seguintes, a exploração avançou para outras áreas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Em 1722, foi estabelecida a fazenda Buriti Monjolinho, apontada como a primeira fazenda de Chapada dos Guimarães, onde também surgiram algumas das primeiras roças da região. Agora no g1 A historiadora Ana Borges explicou que esse processo fez com que a formação de Chapada estivesse diretamente relacionada à ocupação de Cuiabá e ao desenvolvimento das atividades rurais durante o período colonial. De acordo com a historiadora, as atividades econômicas desenvolvidas naquele período também envolveram populações negras, enquanto a chegada dos jesuítas, no século XVIII, deixou marcas na organização religiosa e social da região. "Tem a entrada dos jesuítas nos anos de 1750, o que marca também uma prática religiosa da região. E tem a queda do ouro ao longo do século XVIII e no início do século XX, o que marca o isolamento da região envolvendo populações negras e também práticas agrárias", explicou. De território gigante a destino turístico Um dos capítulos mais curiosos da trajetória de Chapada dos Guimarães está justamente no tamanho que o município já teve. Segundo Ana, Chapada chegou a possuir aproximadamente 270 mil km² de extensão territorial, dimensão que fez com que fosse considerada, naquele período, o maior município brasileiro. "Era muito grande! A sua extensão era tão expressiva que abrangia uma parte do que hoje a gente chama de Nortão", contou. O território alcançava regiões onde posteriormente surgiriam municípios como Alta Floresta, Colíder e Sinop, entre outras cidades do norte de Mato Grosso. Essa configuração começou a mudar principalmente a partir da década de 1970, conforme novos municípios foram criados e áreas anteriormente pertencentes a Chapada passaram por processos de desmembramento. Ao mesmo tempo, a identidade econômica da região também mudou ao longo dos séculos. Com o declínio da mineração de ouro, Chapada atravessou períodos de maior isolamento, preservando características rurais e elementos herdados do período colonial. Décadas depois, especialmente com a melhoria dos acessos rodoviários, o município passou a se integrar com mais intensidade ao circuito turístico estadual. Essa transformação ganhou força com a criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em 1989, consolidando a paisagem natural como um dos principais símbolos da cidade. "Ela passa a ser também essa cidade charmosa, voltada para a natureza, que é o que hoje ela mais consegue se manter em termos econômicos", afirmou Ana. De Sant'Ana de Chapada a Chapada dos Guimarães Até chegar ao nome atual, o município acumulou diferentes denominações. Registros históricos citados pela prefeitura mostram que a localidade já foi chamada de Sant'Ana de Chapada, Chapada de Cuiabá, Sant'Ana da Chapada de Cuiabá e Sant'Ana da Chapada de Guimarães, até chegar a Chapada dos Guimarães. O nome Guimarães está relacionado a uma determinação da Coroa Portuguesa para que povoados recebessem nomes portugueses. A localidade passou, então, a ser chamada de Lugar de Guimarães, em referência à cidade portuguesa associada à formação histórica daquele país. Outro momento importante ocorreu em 1751, com a chegada do primeiro governador da Capitania de Mato Grosso, Dom Rolim de Moura, acompanhado pelo padre Estevão de Castro. Na região, foi estabelecida a Missão Jesuítica de Santana, que reuniu indígenas de diferentes etnias. Uma das igrejas mais antigas de Mato Grosso Igreja de Santana do Santíssimo Sacramento em Chapada dos Guimarães Portal Chapada MT Parte dessa história permanece visível no patrimônio arquitetônico da cidade. A Igreja de Santana do Santíssimo Sacramento, localizada na região central, é considerada uma das igrejas mais antigas de Mato Grosso e conserva elementos ligados ao período colonial. Segundo Ana Borges, as primeiras estruturas religiosas relacionadas à missão jesuítica surgiram ainda no século XVIII, na área atualmente conhecida como Aldeia Velha, inicialmente utilizando materiais como taipa, madeira e cobertura de palha. Com as mudanças políticas ocorridas no período colonial e a expulsão dos jesuítas, uma nova construção foi erguida na área central da povoação, utilizando materiais mais resistentes e incorporando elementos arquitetônicos e decorativos ligados ao barroco, inclusive peças trazidas de Portugal. A preservação desses elementos ao longo dos séculos ajudou a transformar a igreja em um registro material da própria formação do município. "Hoje ela tem essa importância por ser uma das igrejas mais antigas e também por ter elementos que não sofreram alterações ou modificações tão significativas desde a sua construção", explicou a historiadora. A devoção a Sant'Ana também atravessou gerações. Conforme Ana, a santa, tradicionalmente reconhecida pela Igreja Católica como mãe de Maria e avó de Jesus, se tornou associada à proteção das famílias, dos idosos e à transmissão de conhecimento entre gerações. LEIA TAMBÉM: Lar de dinossauros: conheça habitat de criaturas pré-históricas que viviam em Chapada dos Guimarães Entenda por que paredão de Chapada dos Guimarães com 130 milhões de anos está desmoronando e bloqueando principal rodovia Uma paisagem moldada há milhões de anos Véu de Noiva em Chapada dos Guimarães (MT) Secom-MT Se a história de Chapada dos Guimarães começou há 275 anos, a formação da paisagem que caracteriza o município é muito mais antiga. Localizada na borda do Planalto Central Brasileiro, a região reúne escarpas, cânions e formações de arenito vermelho moldadas por transformações geológicas ocorridas ao longo de milhões de anos. Entre os pontos turísticos mais famosos, estão a Cidade de Pedra, o mirante e o Véu de Noiva. Mirante em Chapada dos Guimarães (MT) Portal Chapada MT Segundo informações da prefeitura e de historiadores, a área já foi coberta por gelo, transformou-se em fundo do mar, passou por um período de deserto e ganhou o relevo atual há cerca de 15 milhões de anos, quando o surgimento da Cordilheira dos Andes provocou o afundamento da planície pantaneira. Essas mudanças ficaram registradas no próprio território. O município abriga sítios arqueológicos com pinturas rupestres, além de fósseis de conchas marinhas, vestígios de antigos desertos e registros da fauna pré-histórica encontrados em diferentes pontos da região, revelando parte da evolução geológica e da ocupação humana no centro da América do Sul. A vegetação também chama a atenção pela variedade. Em meio ao Cerrado, a região concentra áreas de mata com características que lembram tanto a Amazônia quanto a Mata Atlântica, além de espécies como ipês, jatobás, jacarandás, buritis, orquídeas e bromélias. Entre os frutos típicos estão o pequi, o araticum, a mangaba, o cajuzinho-do-cerrado e o cascudo, fruto considerado endêmico de Chapada dos Guimarães. Cidade de Pedra em Chapada dos Guimarães (MT) Prefeitura de Chapada dos Guimarães Essa diversidade se reflete na fauna. São mais de 400 espécies de aves registradas, incluindo as araras-vermelhas, símbolo do município, que fazem ninhos nos paredões de arenito e sobrevoam a cidade diariamente. A riqueza atrai observadores de aves de diferentes países, interessados em espécies como o gavião-real, o urubu-rei e diversos beija-flores do Cerrado. Entre os mamíferos encontrados na região estão tamanduá-bandeira, lobo-guará, anta, quati, macaco-da-noite, onça-parda e jupará. O clima completa esse cenário. Com temperaturas geralmente entre 12°C e 25°C durante os períodos de friagem, o município possui duas estações bem definidas: a chuvosa, entre outubro e abril, e a seca, de maio a setembro. Nas primeiras horas da manhã, o nevoeiro que costuma cobrir as formações rochosas se tornou uma das paisagens mais marcantes da cidade, reforçando a identidade de um lugar onde natureza e história caminham lado a lado. Nevoeiro no mirante de Chapada dos Guimarães (MT) Marcos Vergueiro Secom-MT Passados 275 anos, Chapada dos Guimarães deixou para trás as dimensões territoriais que um dia fizeram dela um município gigantesco, mas preservou parte dos vestígios daquele passado que ajudam a contar a trajetória do local. Chapada dos Guimarães (MT) reúne inumeras belezas naturais que integram a cultura da região Reprodução

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